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domingo, 3 de maio de 2026

O Duelo

Sofrendo acordei e vi meu corpo machucado no chão. - Que horror! Que cena!

Não podia ser, terminar assim, porque?
Ele ganhou, eu perdi. Tirou - me a vida e agora, o que será de mim? Onde ele esta?
Naquele momento prometi para mim mesmo que aquilo não ficaria assim, eu me vingaria, custasse o que custasse.
Frederico pagaria caro. Se eu não podia ter minha vida ele também não teria a dele.
Tentei me levantar mas não consegui, cambaleei e cai ao lado do meu corpo inerte no chão.  Gritei por socorro mas ninguem podia me ouvir.
Nosso duelo se deu em lugar longe de tudo e de todos, eu estava só,  sentia dores e meu peito sangrava, a agonia me venceu e eu desmaiei. Ficaria ali caido por longo tempo.
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Fiquei lá não sei por quanto tempo meu corpo se deteriorava e eu sentia dores de forma terrivel.
Quando me acharam eu e meu corpo ja estavamos de forma repugnante e fétidos.
Fomos enterrados em um cemitério da cidade com salvas e dor dos familiares. Eu gritava de dor ali, mas ninguém me ouvia. Todos choravam a minha perda menos meu opositor que ali estava para vangloriar sua vitória.
Frederico foi ao meu enterro, eu tentei me levantar para ter com ele mas não tinha forças.  Jurei vingança  e ela viria quando eu melhorasse, e eu melhoraria. 
Ao final todos foram embora e eu fiquei com meu sofrimento deitado na lápide fria.
Eu merecia passar por aquilo? Nao sei.
Mas sei que não ficaria assim.
Meu erro começou ali, ou recomeçou ali.
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Deitado la, olhando o céu escuro, nublado, senti raiva, muita raiva. Por que aquilo tinha acontecido comigo?
Um nobre de valores como eu, temente a deus, de boa postura, boa familia, tinha perdido tudo. Eu nao tinha mais nada.
Lá estava jogado em cima da minha lapida fria e la ficaria para a eternidade. Triste fim esse meu.
Estava só olhando o céu quando me deparo com uma figura iluminada passando por entrevos tumulos, olhei com mais atenção o que julguei ser uma assombração. A luz se movimentava como uma pessoa e parecia procurar alguém. 
A figura se deslocou até a outra ponta do cemitério e la parou, parecia ter encontrado o que procurava e se deteve por certo tempo e desapareceu como fumaça. 
Pensei estar ficando louco, mas também quem não ficaria depois de tudo o que aconteceu?
Voltei a minha reflexão.
Precisaria pensar em como sair daquela situação. Aquele seria o meu destino, morar naquela lapide fria para a eternidade? Afinal eu merecia estar naquela condição?
Dia após dia fiquei vagando pelo meu novo lar, eu sofria, tinha dores,  sangrava e entendia que aquele era meu fim.
Frederico por sua vez vivia sua vida desregrada de sempre onde mulheres e bebida eram o centro de seus dias.
Perante a sociedade era um homem influente, de relevância politica, poderoso  comerciante. Tudo certo para uma vida em sociedade, mas não para as leis divinas.
Frederico tinha amores como tinha adversários. Era conhecido pelos casos que arranjava e confusões que se metia, porém  sua posição o salvava de muitos apuros. 
Foi questão de tempo.
Eu estava em estado deplorável, esquecido pela providencia divina sofrendo a mais dificil provação que um ser pode sofrer.
E tambem foi questão de tempo.
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Frederico aos poucos foi se envolvendo em pequenas confusões,  dividas e logo encontrou quem lhe cobrasse.
Saindo do bordel foi afrontado por um senhor, alguém que lhe cobrava uma divida. Durante o confronto em uma luta corporal o destinto senhor desfere-lhe uma facada certeira da cidade.
Grande alvoroço foi causado com sua morte, uns lamentaram a perda, mas muito também comemoraram.
Seu enterro se deu no mesmo cemitério em que eu me encontrava, não sei precisar o tempo, mas quando o cortejo chegou eu fiquei curioso com as pessoas chegando e lamentando a morte do falecido.
Lá estava eu tal qual alma penada bisbilhotando o enterro alheio.
Qual nao foi minha surpresa ao ver Frederico escondido atrás de uma árvore apavorado.
Ao vê-lo  descontrolei-me, corri para pega-lo e la mesmo trocamos socos e pontapes. Minha raiva era tão grande que eu só queria matá-lo. 
Ao nosso redor figuras escuras faziam apostas e riam de nossa situação, incentivavam enquanto rolavamos no chão nos estapeando.
Do outro lado um choroso enterro acontecia, mulheres lamentavam a perda do amante, homens lamentavam a divida não paga.
Nenhum deles tinha ideia do que realmente estava acontecendo. Depois de um tempo, cansados, feridos, sangrando ficamos no chão ofegantes.
Frederico sofria dores atrozes e eu também sofria pois meu ferimento voltou a sangrar e deitados lá, no chão, estavamos finalmente em pé de igualdade. 
Ali percebi que nada daquilo adiantaria, estavamos liquidados, percebi que ninguém ganhou nada, nem ele, nem eu.
Naquele momento chorei sinceramente todas as mágoas e lamentei meu destino.
Foi ai que a luz apareceu novamente naquele cemitério, pequena como um pontinho, porém  foi ganhando força e intensidade.
Reuni minhas ultimas forças que me restavam e rastejei até lá. Conforme me aproximava a luz aumentava e cegava meus olhos até que parei  sem poder me aproximar mais.
Fiquei la deitado de olhos fechados esperando me recuperar torcendo para que tudo aquilo fosse um sonho, um maldito sonho.
- Abra os olhos Luiz! - ouvi uma voz me chamando
Eu juro que tentei mas a luz era forte demais para mim e respondi:
- Não consigo, esta forte demais irá cegar-me.
- Vamos tenha coragem, abra os olhos.
Reuni todo o vigor que ainda me restava e abri. Imerso em uma grande luz vi um homem grande, sereno, com olhos ternos e vestes longas.
- Jesus! Vieste me buscar? - perguntei surpreso. 
- Não,  não sou Jesus mas estou a serviço dele. Tenho acompanhado seu sofrimento Luiz e você tem sofrido bastante há bastante tempo.
- Quanto tempo estou aqui? Nem sei mais.
- Há pelo menos dois anos. Acho que ja é suficiente não é mesmo? Esta pronto para partir e seguir comigo?
- Ir aonde? Não lhe conheço. 
- Garanto que ficará bem, porem deves deixar tudo para trás. 
- Tudo o que? - perguntei - Não tenho mais nada, disse -me que estou aqui há dois anos, não tenho mais nada... nada me restou, tudo por conta daquele desgraçado que roubou-me a vida.
- Quando digo tudo Luiz, é inclusive o desejo de vingança por Frederico... não entendeste que ninguém ganhou? Todos perderam.
- Sim, agora ele também esta aqui sofrendo como eu sofri, achei que isso me faria feliz, que estaria vingado, mas percebo que sofro... sim, ninguém ganhou.
- Que bom que entendes isso por que para onde vamos essa vingança nao tem lugar. Lá podemos curar tuas feridas e dar-lhe o bem estar que tanto procuras. Vamos?
- Mas e quanto a Frederico?
- Tudo a seu tempo Luiz, ele terá o tempo dele,...  vamos?
Aquele anjo me estendeu a mão e fui com ele e tudo mudou.
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Ali comecei minha nova jornada.
Adormeci e acordei em uma cama limpa num lugar claro e simples. Pensei que tudo tinha sido um sonho, mas logo o anjo apareceu novamente e me mostrou o que eu ja tinha entendido, eu morri! Mas agora era tudo diferente, já não estava mais no cemitério, não sofria mais e pela primeira vez em muito tempo eu estava bem, descansado, limpo e calmo.
O anjo veio me buscar, seu nome era Dominic e ele me explicou o que eu não sabia, o que era a vida após a morte, por que sim... existe vida após a morte!
Dominic me levou para ver outras pessoas, me mostrou lugares e me ensinou o que eu nunca soube. Quanto tempo vivi na ignorância, meu Deus!
Aprendi que me relacionava com Deus de forma errada, de forma mecânica, automatica e sem emoção... como um cristão e homem de bem, mas era só.
Aqui entendi que Deus é amor, que meus erros devem ser corrigidos e que devo aprender para não errar mais, ao mesmo tempo é muito dificil esquecer tudo o que vivi e todas as injustiças que sofri.
Levei muito tempo pra entender que eu e Frederico tinhamos um a longa história de desavenças, séculos e séculos de encontros e desencontros, disputas infrutiferas que acabavam sempre no mesmo final: um matando o outro.
Todos os amigos espirituais trabalhando duro para encerrar este ciclo e sempre falhamos... era hora de parar, hora de romper com tal sofrimento. Estudei, trabalhei muito e durante longo periodo me preparei para mais uma tentativa.
Meu plano reencarnatório inclua trabalhar para instruir os irmãos, auxiliar o próximo mostrando-lhes o caminho do bem e do amor de Cristo. Eu trabalharia com afinco para guiar os mais necessitados. Trabalharia para a santa madre igreja e lá receberia toda a sorte de irmãos sofredores, aliviando-lhes as dores e usaria tudo o que aprendi aqui na colonia como forma de evoluir espiritualmente. 
E assim foi feito.

Porém essa é uma outra historia que não será contada agora pois não é o proposito deste trabalho. Por hora encerro meu relato e  agradeço a todos vocês que acompanharam os irmãos que o ódio e a vingança só levam a mais sofrimento e dor e retarda, e muito a evolução espiritual de todos.

Quero agradecer a você pela dedicação e a todos os protetores deste lar pelo suporte energetico.
Nos vemos em breve! 
Abraços fraternos.
Luiz Alcantara.
Psicografada entre Abril e Maio/2025

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